quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Dica de leitura - "Rata Fashion e Esquilo no Shopping"

A dica de leitura deste mês é o livro "Rata fashion e Esquilo no shopping" (editora Caramelo), da autora Luciana Garcia. É uma fábula que mostra a história de dois amigos que não resistem às promoções das lojas e acabam gastando mais do que podiam. Numa linguagem simples e divertida, o livro aborda o consumismo e a influência da publicidade. 

Batemos um papo com a autora do livro. Confira:

Como foi o processo de criação do livro?

"Rata Fashion e Esquilo no Shopping" é um dos títulos da minha coleção de livros de fábulas “modernas”, ou seja, que tratam de temas atuais relacionados à nossa sociedade no contexto presente, porém, com a presença de animais protagonizando as histórias e sempre com alguma discussão moral, ainda que não diretamente. Fazem parte da série temas como individualismo, competitividade, relações familiares, bullying, drogas e consumismo. Uma vez decidido este tema, eu procurei pensar quais circunstâncias impactavam diretamente as crianças e os jovens e como poderia falar disso com elas de uma maneira lúdica. 

Em que você se inspirou? 

A autora Luciana Garcia
Foto: arquivo pessoal
A inspiração está a nossa volta o tempo inteiro. Especificamente em São Paulo, nosso lazer mais frequente, por causa da instabilidade do clima e das poucas opções ao ar livre, é o famoso e “perigoso” (para o bolso) passeio no shopping; bastam poucos minutos de televisão para sermos bombardeados por diversas propagandas comerciais apelativas; qualquer acesso à internet inevitavelmente abre diversas janelas de anúncios; e assim por diante.

Eu sempre tomo por base nos meus livros experiências pessoais minhas, da infância ou atuais, conversas com as pessoas e observações. No universo infantil, a exploração exagerada de personagens de animações para o desenvolvimento de marcas também chamam demais a minha atenção de maneira negativa – mesmo sendo uma grande fã de Walt Disney e Mauricio de Sousa. Hoje em dia parece que não existe uma roupa, um jogo, um brinquedo ou mesmo um utensílio doméstico que não tenha associado a si a imagem de um personagem ou artista – que em geral não tem nada a ver com o produto.

O que você acha do apelo comercial direcionado às crianças?

Acho que melhorou muito se compararmos com anúncios dos anos 1980, por exemplo, mas ainda estamos muito longe do ideal. Ao finalizar minha pós-graduação em marketing (sou jornalista de formação, e busquei um curso complementar para ampliar os horizontes), escolhi como projeto de conclusão de curso um estudo exatamente sobre esse tema, e percebi que dificilmente teria aprovação por criticar a área; então mudei o projeto para estudo sobre o marketing em ONGs e organizei todo o material da minha pesquisa para escrever um livro sobre o tema do ponto de vista da defesa da criança, que ainda está em fase de planejamento. O fato é que a exploração dos sentidos da criança por uma finalidade comercial quando ela ainda está em formação é algo absolutamente abominável, e sem dúvida nocivo para a nossa sociedade. Precisamos urgentemente investir na formação educativa das nossas crianças se quisermos melhorar nosso país. E estamos vivendo um momento crucial nesse sentido.