quarta-feira, 21 de maio de 2014

Remédio vencido, você sabe onde descartar?

Fonte: Diário Oficial do Estado de São Paulo

Conselho Regional de Farmácia (CRF) de Bauru e o Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP, o Centrinho, promoverão, no segundo semestre, palestras de orientação sobre descarte correto de medicamentos em cidades da região: Macatuba, Fernão, Bariri, Bauru e Piratininga.

O evento é uma das ações da campanha Prevenção de Impactos Ambientais pelo Uso e Descarte Consciente dos Medicamentos. Outro trabalho conjunto do Centrinho com o CRF local foi o evento Farmacêutico na Praça, realizado no fim do mês passado, na Praça Rui Barbosa, no centro de Bauru. “Durante a campanha, percebemos que a população e os profissionais de saúde desconheciam a forma correta de descarte de medicamentos vencidos ou não utilizados (sobras)”, informa a farmacêutica Maria Benedita Esgotti, do Centrinho.

No Farmacêutico na Praça, os moradores entregaram centenas de remédios vencidos ou que não seriam utilizados. Quem não participou, pode descartá- los na Unidade Básica de Saúde (UBS) da sua cidade. À população dos demais municípios paulistas, a recomendação é contatar farmácias de grandes redes e verificar se oferecem postos de coleta ou questionar o farmacêutico sobre os procedimentos corretos (ver serviço). Devido à relevância do assunto, Maria Benedita abordará o tema em breve no Ciclo de Educação Continuada do hospital. Dirigido a profissionais da área de saúde, o evento destacará assuntos específicos relativos a medicamentos controlados e fisioterapia.

Resíduos perigosos – O coordenador da Comissão de Resíduos e Gestão Ambiental do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo – CRF-SP, Raphael Figueiredo, informa que o descarte inadequado de remédios gera uma série de problemas. “Quando é jogado no lixo coletado pelas prefeituras, posteriormente será depositado em aterros sanitários impróprios para resíduos perigosos. Muitas vezes, os remédios ficam em lixões (sem licenciamento). Isso contamina pessoas e animais que circulam pelo local”, adverte Figueiredo.
“Descartados na rede de esgoto, esses produtos químicos não serão inativados no sistema de tratamento, podendo retornar ao ciclo de captação de água e abastecer novamente as residências. Infelizmente, a população só está tomando conhecimento agora do correto descarte de medicamentos”, avalia o coordenador do CRF-SP.
Figueiredo afirma que, atualmente, não existe legislação específica sobre a destinação adequada de remédios inutilizados no Brasil. Ele informa que no Ministério do Meio Ambiente há um projeto de lei sobre política reversa de medicamento para definir os responsáveis pelo descarte apropriado. Outro segmento de produtos médicos são os resíduos hospitalares, divididos em cinco grupos: infectantes, químicos, radioativos, comuns e perfurocortantes, que devem ter destinações específicas. “A segregação desses resíduos é importantíssima para a proteção do meio ambiente”, explica Figueiredo.

Riscos do consumo inadequado

“Medicamentos vencidos acarretam ineficácia da cura desejada ou até mesmo reações adversas, como dores de cabeça, náuseas, vômitos, febre, tremores, entre outros. Dosagem errada pode gerar reações ou até mesmo a morte do paciente, se o remédio for ingerido em quantidades acima do limite”, alerta Raphael Figueiredo. A interação medicamentosa (alteração no efeito de um medicamento pela ingestão simultânea com outro) depende da quantidade consumida e da tendência do medicamento para reações. “Quando duas drogas interagem, podem ocorrer: potencialização dos efeitos de um dos medicamentos e, consequentemente, surgimento de efeitos novos (diferentes dos observados no caso de uso do medicamento isoladamente); inibição dos efeitos de um dos medicamentos; ou, então, nenhuma modificação no efeito final”, explica o especialista.

Nada de farmacinha – Figueiredo não aconselha “montar farmacinha em casa”, mas diz que, infelizmente, essa é uma cultura do povo brasileiro. Não se deve guardar medicamento próximo a aparelhos eletrônicos (televisores, aparelhos de som e fornos microondas). “O que mais observamos é o armazenamento no banheiro, lugar com muita umidade, que deteriora as propriedades farmacológicas do remédio.” O ideal é acondicioná-lo em local seco e sem variações de temperatura.

SERVIÇO

Todas as UBSs da Prefeitura de São Paulo recebem medicamentos para descarte.
Confira o endereço mais próximo da sua região aqui.

A Drogaria São Paulo (www.drogariasaopaulo.com.br) oferece postos de coleta para
medicamentos vencidos e sobras, com exceção de antibióticos e remédios com tarja
preta (de uso controlado).

Em Bauru, consulte os endereços das UBSs  aqui  e verifique quais unidades recebem medicamentos vencidos e sobras.