sexta-feira, 26 de junho de 2026

MEDICAMENTOS - PESQUISAS COMPORTAMENTAL E DE PREÇOS 2026

 

Em 2026, o Procon-SP completa 50 anos de atuação na defesa do consumidor no estado de São Paulo, trajetória marcada pela realização contínua de ações voltadas ao acompanhamento das relações de consumo e à produção regular de publicações, pesquisas e informações técnicas.

Esta publicação apresenta dados e informações elaborados no âmbito dessa atividade permanente.

 

PREÇOS DE MEDICAMENTOS E SEUS IMPACTOS SOBRE OS CONSUMIDORES 

Essenciais em todas as fases da vida e vitais para nossa saúde e bem-estar, os medicamentos são produtos cuja comercialização é protegida pelo Código de  Defesa do Consumidor.

Para auxiliar o consumidor a tomar decisões conscientes e seguras em tema tão sensível, o Núcleo de Pesquisas da DEP divulgou duas pesquisas sobre o assunto “medicamentos”: uma sobre a percepção do consumidor sobre a venda de medicamentos, e outra, comparativa de preços.

 

QUAL O COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR, QUANDO O ASSUNTO É COMPRA DE MEDICAMENTOS?

Além, obviamente, da indicação médica, o que guia as escolhas do consumidor, na hora de comprar medicamentos?

O Procon SP coletou dados a partir de perguntas como, se esse consumidor busca preço bom e marcas de confiança; onde ele compra (loja física, aplicativos, venda online); seu grau de confiança, quando se trata de fornecer dados pessoais; se acredita que a publicidade induz à automedicação e se conhece a PMC*,

 *lista de Preço Máximo ao Consumidor (PMC) divulgada pela CMED - Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos - administrada pela Anvisa

O questionário, disponível para acesso espontâneo no site da Fundação entre os dias 04 e 29/05/2026, foi respondido por 1.819 pessoas. Desse total,  1538 demonstraram ser consumidoras  de remédios, grupo de interesse especial da pesquisa. 

A enquete apurou que a maioria destes entrevistados (1091) compra remédios regularmente, sendo que 64,24% comparam os preços antes. Pouco menos da metade (748) adquire remédios, principalmente, em lojas físicas de grandes redes ou de estabelecimentos independentes. Mas, também, uma grande parcela de consumidores adquire medicamentos em ambas – física e on-line.

A preferência de quem compra em loja física, se deve, especialmente à disponibilidade imediata do produto e à facilidade de acesso/localização, do mesmo modo que a presença de um profissional para eventuais orientações. Já, quem adquire pela internet busca preços mais baixos e leva em  consideração a comodidade de não sair de casa. Promoções exclusivas e facilidade na comparação de preços, também foram apontados como fatores determinantes para a escolha.

Quando o assunto é preço de medicamento prescrito pelo médico, pouco mais da metade dos entrevistados respondeu que aceita trocar o remédio de marca por um genérico ou outra marca mais barata. Na outra ponta, quando se fala em medicamento sem prescrição, a escolha se concentrou, sobretudo, em experiências anteriores.

 

INFORMAÇÕES SUFICIENTES E LIBERDADE DE ESCOLHA: PUBLICIDADE E AUTOMEDICAÇÃO, PMC E DADOS PESSOAIS.

Publicidade e automedicação: Na percepção de 70,35% dos entrevistados que compram remédios, a publicidade induz à automedicação.

PMC*: Embora 94,93%, dos 1538 entrevistados, tenha respondido que antes de comprar faz cotação do valor do remédio, boa parte não sabe que a maioria dos medicamentos tem teto máximo de preço. O PMC – Preço Máximo ao Consumidor * é  atualizado mensalmente e as farmácias e drogarias não podem cobrar valor acima do que está divulgado nessa lista. Porém, muitos responderam que não sabem onde consultá-la. Ainda nessa linha, a pesquisa trouxe à tona que 88,10%  já deixou de comprar medicação por causa do preço.

CPF e descontos: Somente 4,75% dos entrevistados nunca fornece seus dados pessoais (CPF, telefone, e-mail), enquanto 71,20% querem os descontos propiciados por essa prática. Em contrapartida, pouco mais de um terço dos pesquisados disse se sentir desconfortável ao disponibilizar seu CPF e, mais da metade não sabe como seus dados são utilizados pelas farmácias.

 

COMPARAÇÃO COM DADOS DE  2025

De modo geral, os percentuais da pesquisa de 2026 não apresentaram variações expressivas em relação aos de 2025. Exceção  feita apenas para o número de pessoas entrevistadas que não costumam comprar remédios: do total de 1378 em 2025, 6,89%  haviam respondido que não costumam comprar medicamentos. Já, em 2026, esse percentual subiu para 15,45%.

Tal como em 2025, neste ano, a maioria dos entrevistados foi do sexo feminino, ganha mais do que 04 (quatro) salários mínimos e tem entre 36 e 50 anos de idade.

Acesse o relatório desta pesquisa no link:  www.procon.sp.gov.br/epdc/#pesquisa 

 

REMÉDIOS SÃO PRODUTOS DE CONSUMO

 Informação clara e adequada, liberdade de escolha, proteção contra práticas abusivas são todas garantias do Código de Proteção e Defesa do Consumidor.

Vício de qualidade ou quantidade: Se, dentro do prazo de validade o medicamento apresentar alteração de sabor, odor, coloração ou textura  (desde que não seja uma de suas características essenciais), entre em contato com a farmácia onde foi adquirido ou com o SAC do laboratório fabricante. Na dúvida, não tome o medicamento e procure imediatamente um médico para aconselhá-lo. Da mesma forma, recuse a entrega se a embalagem estiver violada, amassada, rasgada ou úmida.

Obs.: A desistência ou a interrupção do tratamento não obrigam a farmácia/drogaria a aceitar a devolução dos medicamentos, por conta do "risco sanitário".

Receitas: A aquisição de medicamentos, à exceção daqueles sem tarja, deve ser feita sempre mediante prescrição através do receituário médico (receita) comum. A receita on-line ou prescrição eletrônica também é admitida pelo Conselho Federal de Medicina”.

Exigência de CPF: Por se tratarem de dados sensíveis, as informações pessoais sobre nossos hábitos de consumo em saúde não podem ser compartilhadas pelas farmácias. Através da informação do CPF, as farmácias coletam dados sobre suas compras e preferências, de modo geral.

Além da LGPD, que classifica tais dados como "sensíveis", o artigo 43 do Código de Proteção e Defesa do Consumidor estabelece que as informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo bem como suas respectivas fontes, deverão estar acessíveis ao consumidor. Somente forneça seu CPF se receber informação prévia sobre como esses dados serão tratados e se for de sua vontade.

Caso tenha dúvidas ou qualquer problema, procure o Procon de sua cidade ou acesse o site da Fundação Procon-SP (moradores do estado de São Paulo). Para

 registrar uma reclamação use o link: https://consumidor2.procon.sp.gov.br/login

 

PESQUISA COMPARATIVA DE PREÇOS 2026

A pesquisa comportamental sobre medicamentos aponta, significativamente, para onde se concentra a atenção dos consumidores: o preço.

O consumidor se sujeita a fornecer dados pessoais sensíveis,  na expectativa de obter o melhor valor ou ainda, deixa de comprar o medicamento por causa de preço.

Assim, sempre com o objetivo de facilitar o acesso do consumidor a essa informação imprescindível, o Procon SP promoveu mais um levantamento de preços de medicamentos em lojas físicas e on-line, separadamente. Foram coletados preços de medicamentos antitérmicos, anti-inflamatórios, antibióticos, para pressão arterial, colesterol, ansiolíticos e anticonvulsivantes, para tireoide, disfunção erétil, artrite reumatoide, antidepressivos,  anticoncepcionais, anti-histamínicos (alérgicos) e soro fisiológico.

 

LOJAS FÍSICAS

Entre os dias 19 e 20/05/2026 foram visitados, de forma aleatória, 10 estabelecimentos de médio e grande porte, nas quatro regiões, mais o centro da cidade de São Paulo. A pesquisa avaliou os valores de 71 medicamentos, sendo 35 de referência e 36 genéricos.

Dentre os medicamentos de referência, a  equipe encontrou a maior diferença no preço do  Synthroid - 25 mcg - 30 comprimidos: 286,11%. O maior preço apurado foi de R$ 41,43. Na loja que comercializava ao preço mais barato – R$ 10,73, o consumidor conseguiria comprar quatro unidades pagando, praticamente, o preço de uma, na loja mais cara.

Já, nos genéricos, a maior variação de preços foi do medicamento  Tadalafila - 5 mg - 30 comprimidos, que ficou em  2433,59%, que, em  valor absoluto resulta em R$ 94,18.

Na comparação de itens comuns às pesquisas realizadas  em 2025 e 2026, nas lojas físicas, houve variação positiva de 8,43% no preço médio de 33 medicamentos de referência. Já, nos outros 33 medicamentos genéricos pesquisados em  comum no mesmo período, o aumento, no preço médio, foi de 12,74%.

  

LOJAS ON-LINE

Para a pesquisa on-line, realizada nas mesmas datas, foram acessados 10 sites com endereços de Ips na região central de São Paulo-SP. Nos dois dias foram apurados os preços à vista de 72 medicamentos (36 de referência e 36 genéricos). Produtos com desconto e valor do frete não foram considerados na cotação.

Na pesquisa on-line, o  Synthroid -  25mcg – 30 comprimidos apareceu novamente como o produto de referência com a maior diferença de preços, iguais 286,11%. Entre os medicamentos genéricos, a maior diferença de preço encontrada foi de 1237,08%, para caixa com 4 comprimidos do  Citrato de Sildenafila – 50 mg.

Os preços médios dos genéricos, quando comparados com os de referência de mesma apresentação estavam, em média, 66,18% mais baratos.

 

DIFERENÇAS ENTRE PREÇOS DE LOJAS FÍSICAS E ON-LINE

Os preços médios dos medicamentos genéricos vendidos on-line estavam 20,58% mais baratos do que em lojas físicas. Da mesma forma, na comparação entre os medicamentos de referência, o preço médio das lojas on-line estava 8,13% mais barato do que em lojas físicas. 

 

PREÇOS PARA O CLIENTE COMUM

Dentre as diretrizes adotadas pelo Núcleo de Pesquisas da DEP, é coletado o  “preço com desconto máximo para o cliente comum”, ou seja, aquele que não possui nenhuma condição especial (aposentado, empresas, planos de saúde conveniados, etc.). Também não são considerados os descontos vinculados ao Programa Farmácia Popular.

 Acesse o relatório desta pesquisa no link:  www.procon.sp.gov.br/epdc/#pesquisa 


Acesse mais orientações seguras e confiáveis no site do Procon-SP: