sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Brincadeira é coisa séria!

Fonte: Biblioteca Virtual de São Paulo

É brincando que a criança descobre o mundo, experimenta situações, processa informações e desenvolve a sua personalidade. O processo de descoberta e aprendizagem, através do ato de brincar, vai ocorrendo naturalmente desde o início de sua vida, muito antes mesmo da escola, que é porta de entrada da educação formal.

Cantar, bater palmas, fazer roda, correr, pular, encenar uma situação... enfim, tudo isso faz parte do rol de brincadeiras tradicionais que acompanharam várias gerações. Por mais que se diga que as crianças, hoje em dia, estão perdendo o hábito de vivenciá-las, as velhas brincadeiras ainda resistem em muitos lugares e fazem parte das culturas locais.

Os brinquedos são, também, elementos importantes no processo de desenvolvimento da criança. Porém, os bons brinquedos não são somente aqueles mais caros, cujo acesso só é permitido àqueles que podem pagar por eles. Usar a criatividade e construir os próprios brinquedos também pode ser barato, divertido e muito motivador no que diz respeito à aprendizagem.

Ao final do especial, você também verá algumas sugestões de textos e dicas de pesquisa para professores sobre como unir brincadeira e aprendizagem em suas atividades.

Brincadeiras tradicionais

Numa época em que, aparentemente, as crianças abandonaram as ruas e os espaços abertos para ficarem mais tempo dentro de suas casas, às voltas com a televisão e o videogame; as brincadeiras “analógicas”, que envolvem cantigas, rodas, corridas, pulos, etc., ainda resistem ao tempo nas escolas, nos clubes, nas regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos, nas periferias, etc. As brincadeiras infantis tradicionais também fazem parte do retrato das culturas das mais diversas regiões do país. Basicamente, elas têm origem nas influências étnicas e culturais que formaram a cultura brasileira: o branco, o índio e o africano. Ao longo do tempo, foram se somando as influências dos povos que imigraram para o país, como os orientais e outras nacionalidades europeias, além dos portugueses.

Aqui, daremos uma amostra de algumas brincadeiras tradicionais brasileiras; com suas regras e um breve histórico de sua origem. É bom lembrar que, por vezes, as brincadeiras podem variar nas regras e até nos nomes, dependendo da região.

Pedra, papel e tesoura


Como brincar

Com as mãos para trás, duas crianças escolhem entre três símbolos: pedra (mão fechada), papel (mão aberta) e tesoura (dedos indicador e médio formando um "v"). Em seguida, ao mesmo tempo, cada um apresenta o que escolheu. Pedra vence tesoura (porque ela a quebra); papel vence pedra (pois ele a “embrulha”) e tesoura vence papel (pois este é cortado facilmente). Se ambas escolhem a mesma, há empate.

Histórico

A brincadeira tem origem chinesa. Também chamada de “joquempô”, ela se popularizou no Japão e veio para o Brasil com os imigrantes desse país. É muito usada para definir quem começa um jogo.

Amarelinha


Como brincar

Há uma variação muito grande nos modos de brincar a amarelinha, tanto em tipos de traçado (em quadrados que formam um traçado retangular, indo do “céu” ao “inferno”; em caracol; em quadrado; etc.), como na maneira de pular as casas. O que é comum em todas elas é pular em um pé e usar uma pedrinha para demarcar as casas.

1) Para começar é preciso desenhar um caracol no chão, em formato de espiral, e dividi-lo em várias partes (diferente do formato retangular tradicional).

2) O jogador tem que fazer todo o trajeto pulando com um pé só, até alcançar a casa "céu". Só lá ele pode colocar os dois pés no chão.

3) Depois de chegar ao fim, a pessoa volta até o início, também pulando com um pé só.

4) Quem conseguir ir e voltar sem pisar em nenhuma linha pode escolher uma das casas e fazer um desenho ali: a partir daí, só esse jogador poderá pisar nela.

Histórico

É uma das brincadeira mais antigas e disseminadas do mundo. Em Portugal é conhecida como jogo da macaca, jogar ou saltar à macaca (no norte), e ainda jogo-do-homem e pé-coxinho; em Moçambique chama-se avião ou neca; na Espanha é chamada de cuadrillo, infernáculo, reina mora, pata coja ou rayuela; no Chile chama-se luche; na Colômbia deram os nomes de coroza ou golosa; nos Estados Unidos esse jogo é o hopscotch. Na Galiza, uma comunidade independente ao norte da Espanha, o jogo tem vários nomes: a chapa, truco, mariola, peletre, cotelo, macaca, estrícula, entre outros.

É da França que trouxemos o nome amarelinha, pois ali o jogo é chamado de “marelle”. O termo em francês associou-se à cor amarela e deu origem ao nome brasileiro. Aliás, mesmo dentro do país, a brincadeira varia de nome: cademia (RN, PB e PE), avião (AL e RJ), boneca (PI), cancão (MA), macacão (SE), macaco (BA), pula-pula (PB), amarelinha (SP e RJ), maré (RJ e RS), quadrinhos (PB), queimei (SC), sapata (RS), casco (RJ), amarelas (RJ e MG), casa de boneca (CE), céu e inferno (PB e PR), macaca (AC, PA, AP, CE, RS e PI). Ainda que hoje a sua prática esteja muito reduzida, tempos atrás se jogou em mais de 40 desenhos diferentes.



Peteca


Como brincar

Formar uma roda com pelo menos três integrantes. Quem vai começar segura a peteca com uma mão e bate nela de baixo para cima com a outra, lançando-a para um dos outros. Ao receber o brinquedo, essa criança o rebate, passando adiante. Quando alguém deixa a peteca cair, sai da brincadeira. Também é possível brincar sozinho, jogando a peteca para cima o máximo que conseguir.

Histórico

Quando os portugueses chegaram ao Brasil, encontraram os índios brincando com uma trouxinha de folhas cheia de pequenas pedras, amarrada a uma espiga de milho, que chamavam de Peteka, que em tupi significa "bater"

Queimada
Fonte: How Stuff Works


Como brincar

1) Os participantes são divididos em dois grupos iguais, que ficam cada um de um lado do campo. O objetivo de cada um é "queimar" os integrantes do time adversário, acertando um a um com a bola até que não sobre ninguém.

2) Os times tiram a sorte (par ou ímpar, bola ao ar etc.) para decidir quem começa. Um dos jogadores fica com a bola. Ele tem direito a um arremesso de dentro de seu território (o limite é a linha central), e os adversários podem se afastar o máximo que conseguirem, sem sair dos limites de sua área.

3) Se a bola não atingir ninguém e sair rolando pelo chão, um jogador do outro time pode pegá-la e atirá-la em direção ao pessoal do time adversário – sem sair do ponto onde a pegou. Ele só pode andar com a bola se pegá-la no ar.

4) É queimado quem for acertado e deixar a bola cair no chão. Essas pessoas viram “prisioneiros” dos adversários e têm que sair da área de seu time e ir para a “prisão” (também chamada de “cemitério”), uma faixa que fica depois da linha de fundo do outro time.

5) Os queimados continuam jogando, só que com menos liberdade. Eles só podem pegar a bola se ela cair dentro da prisão. De lá, podem tentar acertar os adversários ou passar a bola para seus companheiros de time, arremessando longe o suficiente para que ela caia dentro do campo deles.

6) Os prisioneiros têm apenas uma chance de voltar a jogar na área de seu time: se na primeira vez que pegarem a bola na prisão conseguirem queimar um adversário.

7) Ganha o time que conseguir o maior número de prisioneiros dentro do tempo estipulado (que não é fixo) ou que conseguir queimar todos os adversários.

Existem certas variações do jogo.


Histórico

A origem do jogo não é tão bem definida. Alguns dizem que ele teria se originado na China, outros dizem que sua origem ocorreu no Egito. Nos EUA, o seu nome é Dodgeball e é praticado como esporte, onde são realizadas competições oficiais. Já no Brasil, a queimada é uma prática mais difundida nas escolas e nas ruas, como forma de recreação.

Os nomes dados ao jogo aqui também variam bastante: Baleada ou Queimada (Paraíba); bola queimada (Paraná); caçado (Paraná e Rio Grande do Sul); mata-mata (Santa Catarina); queimado (Pernambuco); carimba (Ceará); carimbada (Uberlândia).

Caçapinha

Como brincar

Há vários tipos de jogos que utilizam bolinhas de gude, onde variam as regras, o número de participantes e o jeito de jogar. Este jogo é chamado de caçapinha e, segundo o Mapa de Brincar (elaborado pela Folha de São Paulo), teve origem no município paulista de Itápolis.

1) Com uma colher, os participantes fazem seis buracos na terra. Os buracos (caçapinhas) ficam na forma de um "L", com uma distância de quatro palmos de um para outro.

2) Os jogadores têm que acertar as bolinhas de gude nas caçapinhas na ordem em que elas estão.

3) Ganha quem acertar mais buracos ou quem mais se aproximar deles - a dica é medir com a palma da mão. O vencedor ganha uma bolinha.

No site do Mapa do Brincar (Folha de São Paulo), você encontra as regras ilustradas desse jogo.

Histórico

A origem das bolinhas de gude é incerta. Há registros de brincadeiras na Antiguidade que utilizavam nozes, sementes e pedras. As primeiras bolinhas de vidro teriam surgido na Roma antiga. No Brasil, as bolinhas trazidas pelos portugueses foram apelidadas “de gude” em referência ao nome das pedras redondas e lisas retiradas dos leitos dos rios. No interior do país, o jogo recebeu uma dezena de nomes diferentes, tais como baleba, bilosca, birosca, bolita, fubeca, entre outras.

Dentro, fora

Como brincar

1) Enquanto pula, o participante canta a música abaixo:

"Dentro / Fora / Dentro / Pisou / Saiu / Rodou"

2) Ao dizer cada uma das palavras, pula com os dois pés para dentro e, depois, com os dois pés para fora, um para cada lado do elástico.

3) Na palavra "pisou", é preciso pisar com os dois pés em cima das linhas.

4) Na última palavra "rodou", salta para fora e dá meia-volta, ficando com pés paralelos de frente para o elástico.

Regras

- Dois participantes seguram o elástico e um terceiro pula.

- Quem errar passa a vez para o outro participante.

- O elástico geralmente começa no tornozelo, depois sobe para o joelho, para a coxa e para o quadril. Algumas crianças pulam com o elástico na altura dos ombros e da cabeça.

- Cada vez que o participante acerta a sequência toda, o elástico sobe; passa do tornozelo para o joelho, por exemplo.

No site do Mapa do Brincar (Folha de São Paulo), você encontra as regras ilustradas da brincadeira.

Histórico

As brincadeiras que envolvem elásticos remontam à Idade Média. Aliás, o elástico faz parte do conjunto de brincadeiras de pular. Na Grécia e Roma antigas, pular corda era um comportamento muito utilizado para celebrar a chegada das novas estações.

Conheça outras brincadeiras populares no Brasil

- Mapa do Brincar (Folha de São Paulo

O Mapa do Brincar é uma iniciativa da "Folhinha", suplemento infantil do jornal Folha de São Paulo. O site reúne hoje 750 brincadeiras de todo o país, coletadas diretamente com as crianças que moravam nas mais diversas regiões. As brincadeiras também são divididas por regiões.

- Brincadeiras Regionais (Site da Revista Nova Escola

Desenvolvido pela Revista Nova Escola, o site "Brincadeiras Regionais" reúne informações e vídeos sobre 40 brincadeiras populares de todas as regiões do Brasil.

- 100 Brincadeiras 

O Canal Delas, do portal iG, permite a consulta à lista de 100 jogos e passatempos para as crianças. A busca pode ser feita por faixa etária, local de brincar e qual estímulo será provocado (criatividade, equilíbrio, força, cooperação, concentração, etc.).

Fazendo os seus próprios brinquedos

Os brinquedos são uma grande ferramenta de aprendizagem para a criança. Eles ajudam a desenvolver a coordenação motora, a atenção, a concentração e estimulam a imaginação. Para tanto, não é preciso comprar brinquedos caros para as crianças. Usando a criatividade, até materiais simples, como sucata e materiais recicláveis, podem se transformar em brinquedos divertidos, estimulantes e educativos. Até o próprio processo de “fabricação” do brinquedo pode virar uma grande recreação.

A seguir, mostramos como fazer brinquedos simples com materiais diversos (garrafas PET, latas, papelão, madeira e outros). Então, mãos à obra!

Bambolê


Material

- 1,5 m de mangueira de gás ou outro tipo de mangueira mais rígida (ou 60 cm para as crianças menores)
- Fita crepe
- Arroz, pedrinhas, guizos ou sementes

Como fazer

Faça um aro com o pedaço de 1,5 m de mangueira, unindo as pontas com a fita crepe. Se o bambolê for para uma criança menor, faça o mesmo com o pedaço de 60 cm. Se quiser que o bambolê faça um barulhinho ao ser movimentado, escolha algo como grãos de arroz, pedrinhas, guizos ou sementes para colocar dentro da mangueira, antes de fechar o aro.

Como brincar

É só colocar o bambolê na cintura e rodá-lo. Para mantê-lo girando, é preciso movimentar o quadril, rebolando. Além da cintura, o bambolê pode ser girado no pescoço, nos braços e nas pernas. Outras brincadeiras podem ser feitas com o bambolê, como competição para ver quem consegue manter o brinquedo rodando por mais tempo; jogar para cima e tentar encaixar nos braços; entre outras muitas.

Pé de lata

Material
- 2 latas de mesmo tamanho (pode ser de achocolatado, leite em pó, etc.)
- 2 cordas de 1,2 m (ou varal de roupas)

Como fazer

1) Pegue uma lata e faça dois furos no fundo dela, que devem ser opostos entre si (não podem ser feitos no meio).

2) Passe uma corda pelos furos e una as pontas com um nó bem forte dentro da lata. Coloque a tampa.

3) Faça o mesmo procedimento com a outra lata.

4) Se quiser, decore as latas como preferir: pintando, colando retalhos de plástico, tecidos ou papel, etc.

Como brincar

Basta subir nas latas e tentar se equilibrar segurando nas cordas. Além do desafio do equilíbrio, a brincadeira pode ficar mais divertida se houver uma corrida entre competidores, devidamente montados em suas latas.

Massa de modelar caseira

Material
- 4 xícaras de farinha de trigo
- 1 xícara de sal
- 1 e 1/2 xícara de água
- 2 colheres (sopa) de óleo
- 1 colher (sopa) de vinagre
- corante alimentar líquido de diversas cores (ou suco em pó, se preferir)

Como fazer

1) Separe todos os ingredientes (com exceção do corante ou do suco) e coloque-os em uma tigela grande, misturando-os com as mãos. Não há ordem a ser seguida.

2) Em uma xícara, dilua 2 colheres de sopa de suco em pó ou gotas de corante. Acrescente na mistura.

3) Sove bem a massa. O ponto ideal é a consistência de massa de biscoito. Se estiver seca ou quebradiça, acrescente mais água. Se estiver muito grudenta, acrescente mais óleo. Se estiver muito mole demais, ponha um pouco mais de farinha. Prefere um colorido mais forte? Use mais corante ou suco.

4) Guarde a massa em potes, ou vidros, secos com tampa. Não é necessário guardar na geladeira, a menos que você prefira. Se começar a secar ao longo do tempo, adicione um pouco de água. A vantagem dessa massa é que que ela não é tóxica. É possível que o suco em pó seja mais fácil de ser encontrado do que o corante. Porém, se quiser evitar que as crianças pequenas levem a massinha à boca, por causa do aroma de frutas do suco, prefira, então, o corante.

Como brincar

É só usar a imaginação! As massinhas de modelar permitem que a criança crie formas variadas, como bonecos, formas geométricas, entre outras.

Pipa feita com jornal

Material

- Quadrado de folha de jornal com 32 cm de lado
- Linha
- Palito

Como fazer

1) Pegue o quadrado de jornal e, apenas para marcar o papel, dobre a folha ao meio, formando um triângulo.

2) Abra a folha deixando a marca em posição vertical e vire para trás a ponta de cima.

3) Com um palito, faça um furo em cada uma das outras pontas.

4) Corte um pedaço de linha de 30 centímetros, passe pelos furos das pontas direita e esquerda e amarre.

5) Agora faça a rabiola. Corte 70 centímetros de linha e amarre tirinhas de jornal nela, uma seguida da outra. Prenda esse fio na ponta de baixo.

6) Por fim, fixe a linha do carretel no centro do fio preso nas laterais.

Como brincar

A criança segura a linha da pipa e começa a correr. Enquanto ela avança, o vento ajuda a colocá-la no alto. Se houver um grupo de crianças, pode-se fazer um campeonato para ver quem fica com a pipa por mais tempo no ar.